Uma viagem a Lisboa – Portugal

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Muitas pessoas me perguntam como foi realizar essa viagem. O roteiro dos lugares, hotéis, carro, vôos… Olha, posso dizer que foi um bom trabalho, bom porque amo fazer isso e passaria a vida estudando roteiro de viagem, lugares novos, a cultura, o que conhecer em cada cidade, o que comer, enfim, uma infinidade de coisas que me deixam suspirando só de fazer, imagina quando estou realizando tudo que coloquei no papel! Sim, é um sonho pra mim. Passo meses fazendo isso. Nessa viagem foram 3 meses de estudo.

Remarcamos as passagens em Setembro do ano passado, digo remarcamos porque essa viagem era para ter sido feita em Maio do ano passado e por uma série de coisas optamos por não fazê-la, o que foi bom, porque  iríamos somente para Londres ficar um mês todo. Mudamos um pouco a rota e Edgar quis chegar por Milão, e no caso seria só Milão e Londres. Começaram a vir milhões de idéias, lugares, e primeiramente veio Itália, Istambul, Croácia, Irlanda, Escócia e terminando no Reino Unido. As passagens para Istambul saindo da Itália estavam caríssimas e para a Croácia também. Poucos vôos, baixa temporada, enfim. Estudei todos os lugares bem a fundo até que veio Portugal. Juro, nunca tive vontade de conhecer Portugal. Até existia um tipo de preconceito. Achava redundante, não seria uma imersão em uma cultura diferente, uma língua diferente, o que sempre gostei de fazer. Pesquisei, conversei com amigos que já haviam ido e no final achei que era o momento de mudar minha maneira de pensar e realmente conhecer e entender um pouco mais sobre o nosso Brasil.

Falar português na Europa é engraçado. Me peguei várias vezes depois que chegamos a Lisboa falando “grazie” (obrigado em italiano, por termos passado uma semana na Itália antes de Portugal) e quando me dava conta vinha algo em inglês, até que Edgar dando muita risada dizia: Fala logo português, Julia! rsrs…
Chegamos em Lisboa quase duas horas depois do previsto. O hotel que ficaríamos nos indicou pegar um Aero Bus que saía do aeroporto e passava por alguns pontos turísticos da cidade, sendo um deles a Praça dos Restauradores, em frente ao nosso hotel. Comparados aos 100 euros que gastamos na chegada em Milão, do aeroporto ao Hotel, dessa vez foram 8 euros ida e volta, nós 3. Impressionantemente mais barato!
O clima era calor, diferente do que estava na Toscana, e já entramos no clima português. Olivia começou a curtir a idéia de aeroporto, avião, ônibus e tudo mais… queria saber se ainda estávamos na Itália, se já era a Islândia, enfim, e lá íamos nós para mais uma aventura.
Olhando pela janela do ônibus, no caminho para o hotel do aeroporto, já começamos as comparações da cidade com o Brasil…
Alguns pontos que observamos em Lisboa:
Impressiona ver as calçadas da cidade toda, até na parte mais afastada, as pedras portuguesas. Olivia adorou o barulho das rodinhas do seu carrinho nas pedras, principalmente quando dormia. Outros pontos foram: Achamos o transporte público é um pouco complicado e bem caro. Sem metrô em toda a cidade, os bondinho abarrotados de pessoas, tanto que não conseguimos nem pegar a linha 28 que queríamos tanto, e pegamos só um Tram também beeem cheio para irmos a Belém no domingo, que ainda parou no meio do caminho e não nos levou até lá.
A parte turística de Lisboa é absurdamente cheia de turistas, principalmente brasileiros e também bastante franceses. Parece Miami, sério mesmo, com brasileiros por toda parte. Sempre que vemos aqueles grupos enormes de turistas passando chamamos de turismo predatório…rs  E em Lisboa os “predatórios” estão por toda parte, até mesmo bem a noite, nos restaurantes, bares, coisa que na Itália não acontecia. A noite as cidades eram vazias e adorávamos caminhar tranquilamente.
Achamos os portugueses muito educados, gentis, sempre dispostos a ajudar, mas não são muito carismáticos. Comparados aos brasileiros eles são bem mais frios e sérios. Achamos o valor para entrada em palácios, algumas Igrejas, pontos turísticos muito caros, pelo menos comparados aos preços da Itália e também pensando que a maior parte de museus e alguns pontos turísticos como em Dublin, Londres e Islândia principalmente não são pagos.
O preço dos restaurantes também achamos bem mais caros do que na Itália. Quando fiz o roteiro de cada lugar li que era exatamente o contrário, mas enfim, a comida era bem boa e no fim isso que importou.
Voltando a nossa chegada a Lisboa….
Fomos super bem recebidos no nosso hotel e nos deram um quarto Studio, bem maior do que tínhamos reservado e pelo mesmo valor. Um apartamento com quarto, sala, cozinha e banheiro e todas as janelas com vista para o Castelo de São Jorge.
Fomos jantar no Solar dos Presuntos, um dos restaurantes mais famosos de Lisboa e onde todos os brasileiros famosos vão quando estão em Lisboa. Com tantas recomendações só poderia ser maravilhoso. Comparamos a nossa experiência gastronômica ao Terraço Itália em SP, onde passamos todos aniversários de casamento e sempre foi indescritível.
Um queijo derretido do Alentejo chamado Azeitão para comer com pães quentinho de entrada e outros queijos também deliciosos! Pedi um prato de arroz malandrinho muito bom, massa que vinha com muito coentro e eu e coentro somos um caso sério… Não curto coentro e não entendo quem gosta, como quem gosta também não entende quem não gosta…rs Também vieram camarões fritos deliciosos, mas o principal foi o prato do Edgar, esse sim estava sensacional! Um bacalhau assado que parecia um lombo, super bem temperado, delicioso. O chopp, que por eles é chamado de Imperial, achamos muito bom também, o Sagres.
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Saímos de lá e fomos andar um pouco pelo bairro Chiado. Encontramos um lugar de Ginginha e tomamos uma Ginginha do Carmo deliciosa.
Pegamos uma filinha chata para subir o elevador de Santa Justa, que aliás foi bem carinho o ticket somente para ficar dentro dele por 30 segundos, porque para chegar ao Miradouro de Santa Justa se pode subir pela praça do Carmo sem pagar nada. Infelizmente não sabíamos disso. De lá vimos o lindo por do sol com uma vista linda da cidade, do Castelo, do rio Tejo. Uma poesia! Lisboa muito bonita!
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Queria muito ter visto o Convento do Carmo, mas como fechava cedo não consegui. A Praça do Carmo no anoitecer estava o maior clima gostoso, com alguns restaurantes e mesinhas, uma iluminação…
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Fomos na sorveteria Santini, muito antiga e  tradicional, mas esperava mais. Também, eu e Olivia estávamos há mais de uma semana tomando sorvete italiano todos os dias, aí não tem como comparar.
Segundo dia: Ah… o café da manhã do nosso hotel… era maravilhoso, assim como foi em Milão. Compensando o café da manhã “pobrinho” que tivemos por 4 dias em Firenze. Saímos com a intenção de pegar o bondinho 28 no início da linha, na estação Martim Moniz. Andamos a pé até lá, subindo e descendo ladeiras em um pedaço não muito bonito de Lisboa. Quando chegamos havia uma fila enorme. Tentamos pegar a linha 12 em outro ponto até o Castelo de São Jorge e também muito cheio, até que resolvemos subir a pé. Edgar, meu atleta favorito, pilotando profissionalmente o carrinho da Oli pelas ladeiras de Lisboa.
Chegamos no Miradouro de Santa Lucia, uma vista linda da cidade. Subimos mais um pouco e lá estava a fila do Castelo. Por sorte o carrinho da Olivia nos salvou e nos colocaram na fila de prioritários.
O castelo é todo aberto com o visual de todos os ângulos da cidade. Um espetáculo!
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Saímos de lá e fomos conhecer a Feira da Ladra, e poxa vida, foi pura decepção. Imaginava algo como a Benedito Calisto e foi o contrário. A percepção que tive que a feira e seus ambulantes inundavam o bairro de Alfama atrapalhando todo seu visual, que queria tanto conhecer.
Andamos bastante por lá, e depois fomos até o Restaurante Ferrovia que havia anotado para almoçar, mas estava fechado. Pegamos um taxi e fomos direto para a Bar e Restaurante Chapitô. Famoso na cena alternativa da cidade.
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Achei que seria incrível o lugar, as pessoas e tudo mais e no final não achamos nada demais. Só serviam petiscos e lanches, a moça que nos recebeu foi bem mau humorada, mas no final não cobrou 4 canecas de 1litro de Sagres que tomamos e também nos deu uma taça cheia de Ginginha. Saímos de lá quase rolando até a Igreja da Sé…rs Brincadeira… Paramos na frente da Sé para fazer a foto Postal da cidade, com o bondinho na frente.
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E descemos até o cais de Sodré….
Ah o calçadão a beira do Tejo… uma vibe tão boa… com pessoas sentadas tomando sol, cerveja, caminhando, tão gostosa a tarde… Entramos no mesmo clima….
Chegamos na Praça do Comércio e subimos a Augusta, com muitas lojas e músicos tocando nas calçadas.
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Fomos em uma loja que havia anotada chamada A outra Face e uma brasileira muito simpática de Recife me atendeu e me passou a letra da cena alternativa de Lisboa. Os bairros com as coisas mais legais, bares, lojas, mas era muito distante pra gente e com pouco tempo em Lisboa não daria tempo de conhecer. Uma pena 😦  Mas fiquei com vontade de voltar só para fazer o roteiro que ela me indicou.
Fomos no café A Brasileira, onde Fernando Pessoa gostava de escrever. Edgar comeu uma coxinha e um pastel de Belém, e juro, ambos vieram friosss. Como assim, né?! Aqui no Brasil qualquer boteco vende morno ou esquenta na hora. Fiquei decepcionada. Pelo menos o capuccino era gostoso. Acho que nível caiu depois da morte de Pessoa…rs
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Fomos no Bar do hotel Bairro Alto e estava bem cheio e no fim acabamos indo jantar na Cervejaria Trindade de Monges cervejeiros. Experiência gastronômica média, mas no geral foi bom. O coentro em Lisboa está em todos os pratos e isso me deixou um pouco pensativa….rs
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Descemos caminhando para o hotel e a cidade de Lisboa a noite, como em quase todas as cidades por onde passamos, é muito mais bonita. Um charme os lustres das ruas acesos, as ruas menores, pura poesia… E ainda passamos na Ginginha do Carmo novamente para terminar a noite em grande estilo!
Terceiro dia: Ir para Belém.
Pegamos o Tram lotado para ir a Belém. Super caro o ticket e ainda nos deixaram na metade do caminho, porque havia uma manifestação contra o câncer de mama e um desfile da família real, em Belém. Pegamos um táxi até próximo a torre de Belém, com muito trânsito, depois fomos andando atravessando uma ponte com milhares, milhares mesmo, de senhoras que estavam na manifestação.
Enfim, a Torre! Achei bem bonita, mas não entramos nela, infelizmente, a fila estava muito grande, como dá para ver na foto.
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Andamos pelo calçadão a beira do Tejo até o Monumento Padrão dos Descobrimentos.
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Fomos até o Mosteiros dos Jerônimos e ficamos um tempo apreciando o jardim lindíssimo que tem em frente. Olivia se molhou na água do jardim, fez a festa.
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Os mosteiro é maravilhoso por dentro. Cada detalhe, tudo muito bonito. Vi o túmulo de Camões e fiquei bastante emocionada. Vi o local onde foram colocados os restos mortais de Fernando Pessoa quando sua morte completou 50 anos.
Fomos comer um pastel de belém no lugar típico, onde todas as pessoas comem quando vão a Belém, e havia novamente uma fila enorme. Como havia lido em blogs que para comer sentadinho em uma mesa, é só entrar e sentar, não precisa pegar a fila. Procurei uma mesa pelos milhares de salões que existem lá e nada. Acabei pedindo os pastéis no balcão mesmo, “furando” a fila…rs Jeitinho brasileiro em Portugal é aceito, vai?!
O duro é você ser casada com o homem mais politicamente correto, primeiro mundo, solidário, civilizado, gentleman, e não ser aceita quando você faz esse tipo de coisa…rs  Mas, comemos rapidamente nossos pastéis deliciosos, quentíssimos e indescritíveis!
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Fomos almoçar ainda em Belém, e novamente não tivemos uma experiência muito boa. Como no Chapitô, as pessoas do restaurante eram bem mau humoradas… Uma pena, porque poderia ter sido bom.
Pegamos um ônibus para irmos até o Parque das Nações, que era completamente o oposto de onde estávamos e lá fomos nós andar por quase uma hora no busão…rs Descansar as pernas e ver a paisagem.
Chegando lá vimos uma Lisboa completamente moderna, com prédios espelhados, Shopping Center. Esse bairro foi construído  para um Expo que aconteceu anos atrás e a cidade preparou o espaço com ginásios, área de lazer e tudo mais. Pensei tanto no atraso do nosso país e o quanto deixamos a desejar nesse sentido.
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 Lá vimos ponte que serviu de inspiração para a fazerem a ponte mais famosa de SP, na marginal, que virou até nosso cartão postal, considerada uma das maiores do mundo, como a de Rio-Niterói.
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Andamos no teleférico que liga o Parque das Nações ao Oceanário e Olivia amou! Fomos e voltamos pelo teleférico.
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Pegamos o metrô pela primeira vez em Lisboa e apesar de muito caro, como todos os meios de transporte da cidade, é muito bonito. Para comprar o bilhete, mesmo você usando uma única vez, é preciso comprar um cartão, que não é barato e depois carregar esse cartão com quantidade de passagens que deseja.
Fomos direto para o Bairro Alto jantar e ouvir um Fado Português.
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Tomamos um vinho delicioso e comemos um comida bem mediana, uma pena. Sardinhas portuguesas, aquelas que queria tanto comer. Vieram com um tempero não muito saboroso e os bolinhos de bacalhau também vieram frios… Enfim, valeu pelo vinho, pelo fado. Saímos do restaurante e fomos andar pelo Bairro Alto, que estava bem vazio naquele domingo. Foi gostoso caminhar no silêncio da cidade, com pouquíssimo lugares abertos, a noite bem escura e as luzes dos postes tomando conta das ruas. Tomamos uma ginginha no caminho e continuamos nossa caminhada. Fomos até o Pavilhão Chinês. Uma espécie de bar antiquário, parecido um pouco com o Bar Caos em SP da Rua Augusta. Um lugar enorme! Muitas e muitas salas com sofás, mesas, um palácio! Não podia entrar com criança à noite, mas Olivia já estava dormindo no carrinho e nos deixaram para um chopp e no fim tomamos alguns e foi muito bom.
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Conversamos tanto, sobre tanta coisa que já aconteceu na minha vida, coisas que estavam guardadas e que jamais havia falado. Abriu-se um mundo dentro de mim que precisava ser redescoberto. Com tudo, me vi como uma nova pessoa, com a minha nova família que escolhi viver e dividir todos os momentos da minha vida, juntos e unidos, nós 3. Uma sensação de alívio e felicidade. Como é bom ter essa segurança de novo, e tudo isso veio pra mim muito forte naquele momento. Me libertei de muitos medos ao compreender porque eles existiam. E tudo passou… A mais pura gratidão!
Fomos andando até o Miradouro de São Pedro de Alcântara, bem pertinho de onde estávamos e de lá uma visão da cidade lindíssima, ainda mais a noite. O Castelo de São Jorge imperava no topo. Muitos casais românticos sentados apreciando a vista também. Um jardim muito bonito e muito cuidado.
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Os Miradouros de Lisboa talvez seja a melhor parte da cidade. A vista de cada um é particular e imperdível. No meu roteiro coloquei tantos para visitar e apesar de termos ido em muitos, faltaram mais da metade. Pouco tempo, muita coisa para conhecer nesse mundo português repleto de poesia…
Nos despedimos de Lisboa nessa noite e no dia seguinte seguimos para Sintra, Cascais e outras lugares alternativos que escolhi conhecer em Portugal. Um roteiro que demorou quase 20 dias para ficar pronto e ficou impecável. Contarei aqui também… Até breve!

Um passeio pela Toscana

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Tentamos sair cedo de Firenze, mas o hotel demorou 40 minutos pra trazer nosso carro. Fiquei muito, mas muito irritada. Dei um “piti” em inglês, porque fiquei com medo de falar as palavras que conheço em italiano por não saber a intensidade que elas soariam…rs Finalmente com o carro, seguimos viagem.

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Primeira cidade: Montepulciano

A estrada já vale a viagem, é a coisa mais linda do mundo! Campos com aquela graminha verdinha super bem cuidada, com trigo, vinhedos, pinheiros, uma imensidão de beleza.
Avistando a cidade, muitos morros ao redor e uma cidade no topo.
Quando chegamos ficamos em dúvida de onde estacionar o carro, se ficaria muito longe, enfim, mas foi bobagem porque a cidade era muito pequena. Algumas ladeiras que saiam da praça principal, restaurantes, lojinhas, igreja e um silêncio que reinava.

Fomos no restaurante indicado por amigos chamado Osteria Acquacheta. Era um lugar típico para comer a bisteca a la fiorentina. Depois de feito o pedido o dono do restaurante te mostrava o tamanho da peça da carne, se estava bom, e depois grelhava. Depois de pronto veio uma carne quase crua, como de fato é preparada, e é óbvio que não comi, fiquei só no primeiro prato, um nhoc e depois a sobremesa com o licor VinSanto, igual ao licor da Grécia e com o mesmo nome, com umas bolachinhas de amêndoas típicas da cidade.

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Na maioria dos lugares que fomos tomamos o vinho da casa, que é feito pelo próprio lugar, com o nome do restaurante, e são incríveis. Vinho na Toscana é coisa fina e com preços ótimos, incomparável ao preço que pagamos no Brasil.

Saímos de lá e andamos pela cidade, entramos em uma ruazinhas lindíssimas, com flores, casinhas de pedra, total cinematográficas. Entramos em uma igreja toda graciosa, Olivia acendeu uma vela, tiramos várias fotos da vista e depois de rodar um pouco fomos para a outra cidade.

A estrada novamente um sonho! Edgar gravou uns CDs pra gente ouvir no carro e uma música do novo cd do Moby dizia “perfect life” e o que estávamos vivendo ali era uma vida perfeita. Fazendo o que amamos e com as pessoas que mais amamos: a nossa familinha!

Segunda parada: Pienza

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Ah…Pienza… A que achei mais linda! Tão pequena e tão linda! Um charme logo ao avistar a cidade, no topo da montanha. São 3 ruas paralelas com algumas que cruzam.

Vasos de palha pendurados por todos os lugares com flores. Pessoas nativas do lugar muito simpáticas pelo comércio, andando pelas ruas e um silêncio e uma paz indescritível. Em muitos momentos só havia nós 3 andando pelas ruas. Eu brincava com Olivia que as casinhas eram nossas, que a gente moraria nelas e ela adorava a idéia, só pedia para a Ophelia estar junto com a gente.

Tomamos um café da tarde em uma pracinha com um poço, uma fonte, lugar lindo, inesquecível!

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Seguimos para a ultima cidade: Montalcino

O frio começava a pegar e a noite quase chegava… Era quase 6 da tarde, vimos a cidade de longe e achamos bem maior do que as outras e uma região com muito mais vinhedos. Tem um vinho famoso dessa região chamado Brunelo di Montalcino.

Ao redor da parte histórica da cidade haviam casas bem novas, também acompanhando a arquitetura e de pedras, mas casas maiores, com certezas de pessoas com bastante dinheiro.

Chegamos e fomos até o Castelo da cidade com uma vista linda. Vimos a Duomo, um museu, nos perdemos, mas foi muito bom se perder, e ainda não haviam pessoas na rua para pedir informação, só nós. Paramos em uma banca e perguntamos sobre um lugar para jantar e o moço que nos indicou um restaurante e pouco tempo depois ele também estava lá jantando.

Era uma Osteria onde todas as pessoas da cidade pareciam estar depois do trabalho. Achei um pouco chique, toda de pedra por dentro, como uma caverna e no cardápio todos os pratos eram com carnes de caça, além da sopa de legumes que pedi para Olivia e que comi também.

Saímos de lá estava tudo fechado na cidade. Todas as lojas, comércio, só alguns restaurante abertos e como já era noite dava uma impressão de cidade abandonada…

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Saímos de lá e resolvemos passar em Siena, que era nosso caminho. Por fora Siena parece muito com Firenze. Não conseguimos ver muita coisa e fazia muito frio. Entramos no centro histórico, tirei uma foto da Duomo de longe e continuamos nossa viagem.

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Precisávamos chegar em Firenze antes da meia noite para estacionar o carro na garagem do hotel, mas nos perdemos, o GPS nos mandou para lugares sem passagem, ficou completamente maluco, e depois de 40 minutos rodando na região bem próxima ao hotel conseguimos chegar, exatamente a meia noite.

Dia seguinte: Embarcando em Bolonha para Lisboa – Portugal

Saímos de Firenze bem cedo e pegamos a estrada em direção a Bolonha, onde sairia nosso vôo para Lisboa. Foram 100km de uma estrada bem bonita e montanhosa, mas com montanhas bem altas e muitos pinheiros.

Deixamos o carro no aeroporto e depois do check in paramos em um restaurante para dar almoço para Olivia e quando fomos embarcar a fila para passar pela polícia federal e imigração estava gigante!!! Nunca vi uma fila tão grande a não ser de um vôo de volta da nossa primeira viagem a Europa em 2008. Passamos até mal na fila com medo de perder o vôo, foi um pânico!  Maaaaas, dessa vez, alguém nos salvou: Olivia!!!
Uma policial nos indicou uma fila “fast family” algo assim, e corremos novamente para o começo da enorme fila e entramos direto, por ter uma criança ainda um pouco bebê em um carrinho. Ufa!!! Nem acreditamos! Ainda tremendo, pq o tempo de fazer tudo o que precisava até a hora de entrar dentro do avião, sem contar a fila que não pegamos, foram exatos! Com certeza perderíamos o vôo e como fazer se isso acontecesse?! Todas as passagens e hotéis reservados dentro de um roteiro que não existe nenhuma flexibilidade para mudanças. Seria o caos, mas deu tudo certo!

Pensamos que para os próximos vôos faríamos todo o processo de embarque e por último parar para comer e tudo mais.

Entrei no avião contando quantos voos ainda faltariam fazer, porque até hoje, mesmo depois de viajar tantas vezes, ainda tenho que confessar que tenho medo de avião. O único momento que relaxo é na hora das refeições ou quando estou muito cansada e o vôo é longo e acabo cochilando. O bom que agora tenho uma nova companheira para dividir esse momento que me sinto tão vulnerável e que aperta minha mão também e dá força, dizendo que está tudo bem. Olivia é impressionante!

E lá fomos nós para terras portuguesas conhecer nossas raízes…

Passando por Pisa e conhecendo Firenze – Itália

Saindo de La Spezia pela manha e seguindo de carro até a cidade de Pisa para ver a Torre.

Uma hora de viagem e lá estávamos nós no Campo do Milagre onde está a Torre de Pisa, um batistério e uma Duomo.

A torre é mais torta que eu imaginava e Olivia amou a “torre torta”. Amou tanto que não queria parar de olhar, não queria ir embora e depois tb passou dias falando dela.

Demos o almocinho da Oli no gramado em frente a torre, comemos alguma coisinha também, passamos nas mil barracas que ficam ao redor do campo para comprar umas coisinhas e seguimos para Firenze.

Ao chegar em Firenze a nossa portuguesa do GPS ficou maluca e não conseguíamos achar o hotel. Rodamos muito e nada, até que de repente o hotel apareceu.

O hotel era ao lado do mercado central e da Duomo, super bem localizado, mas a rua em frente era um caos de carros passando, trânsito, e também lotada de carros estacionados. Tivemos que pagar o estacionamento do hotel para deixar o carro, o que me deixou muito chateada, porque foi caríssimo: 75 euros pelos 3 dias.

O hotel era mais antigo também, os corredores eram iguais aos do hotel do filme O Iluminado.

Chegamos com muita fome, deixamos as malas e saímos para comer. A Cantina Mario estava fechada e paramos em um outro só lado bem gostoso, no meio da praça chamado Zaza, que tinha um vinho deleitoso. Meu terceiro prato de macarrão na Itália, depois de em outros lugares comer pasta ao vongoli, pesto, sugo, foi a vez do carbonara. Sempre muito gostoso. Saímos para passear pela cidade, que estava bem vazia as oito da noite, e subimos para ver o por do sol na Piazza Michelangelo.

No caminho paramos no carrossel da Piazza Della Signoria. Andei com Olivia por três vezes e seguimos nossa caminhada para o por do sol.

Edgar subiu todas as escadas até chegar na praça Michelangelo com Olivia no ombro, mochila nas costas e segurando o carrinho com uma mão. Meu herói! Ele é demais, me impressiona a sua disposição, nunca faz corpo mole pra nada, sempre disposto e um super pai e marido!

Chegamos exatamente na hora do por do sol, quase 9 da noite. Firenze já se despedia da luz solar e estava começando acender suas luzes. A cor do céu já estava no tom que eu mais amo e esse era o meu melhor momento do dia, como sempre foi: o anoitecer. Fiz milhares de foto da cidade. A cúpula da Duomo reinava no horizonte, mais linda que todos, a torre do Castelo Vecchio e a Croce. Tudo tão lindo e Firenze um sonho…

Segundo dia de Firenze foi passear o dia e a noite toda pela cidade. De dia: tudo muito, absurdamente lotado de turistas. Ruas, igrejas, palácios, igual a Roma. Me lembrei muito de Roma e de como esse turismo predatório tira a verdadeira essência das coisas. O mar de gente cansa, estressa, e lá me veio a cabeça Milão, tão linda também e com muito menos turistas, mais tranquila. Firenze é linda, mas muito cansativa durante o dia. Escolhemos almoçar em uma Osteria bem afastada que passamos no caminho da Piazza Michelangelo. Comida deliciosa e comi dois pratos (primo e secondo piato) pelo preço de um, comparado ao restaurante do dia anterior, no centro histórico.

Andamos mais um pouco pela cidade e resolvemos fazer uns caminhos distantes das ruas principais, algo mais tranquilo, em um pedaço bem bonito a margem do rio. Voltamos ao hotel no final do dia, muito cansados, dormimos um pouco e a idéia era comer em restaurante ao lado do hotel, que era bem bacana, com uma galeriana descolada, mas como recarregamos a pilha acordamos novos e saímos animados por Firenze desbravando tudo.

Ah, sim, a noite em Firenze… Tão absurdamente mais tranquila, tão melhor do que o dia, onde aqueles mil grupos de turistas já foram embora para o hotel e você pode abraçar a cidade como se ela fosse sua. Só as cantinas que estão bem lotadas. Tentamos pela segunda vez o Mario, que estava fechada.

Tentamos a Mariolo Tratoria, também muito recomendado, mas nos deram uma mesa péssima no canto e apertada, resolvemos não ficar e fomos andar pela margem do dia e o sol estava se pondo. Um céu rosado, muitas pessoas sentadas na margem do rio tomando drinks, mais pra frente um mar de turistas na doce ponte Vecchio. Fomos andando novamente para o caminho da Piazza Michelangelo para comer uma pizza na cantina com a melhor pizza de Firenze, mas as 9 da noite haviam pessoas dentro e uma placa de closet na frente. Ficamos tristes e voltamos a caminhar quando vimos um restaurante bem simpático e resolvemos ficar. Foi a melhor coisa que fizemos!

Comi o melhor macarrão de todos e com camarões. Olivia comeu também e pediu mais prato ainda!
Tomamos um vinho delicioso, foi tudo perfeito!

Saímos de lá e estava muito, muito frio! Andamos pela cidade, pelos pontos turísticos com muita tranqüilidade. Paramos em café dentro do centro histórico com doces incríveis, um lugar muito antigo, tomamos capuccino, comemos chocolate, fotografamos mais a cidade com a luz de uma lua cheia maravilhosa no céu.

Olivia queria tomar sorvete naquele frio, porque todos os dias tomava quase 3 vezes e italia e sorvete é algo que combina muito.

Dia seguinte: pegar o carro e descer para o sul da Toscana

Montepulciano, Pienza, Montealcino

 

 

Conhecendo Cinqueterre Itália

Saindo de Milão no domingo já com o carro que alugamos fomos para La Spezia. Uma estrada bem tranquila com quase nenhum carro e com paisagens muito bonitas.

Em duas horas estávamos em La Spezia, mas o GPS do carro não localizava o endereço do hotel e rodamos por quase uma hora até conseguir chegar. Saímos da cidade e quase pagamos novamente o pedágio para entrada. Os pedágios da Itália são acordo com o tanto que você rodou de estrada, então, você primeiro pega um ticket na cidade da saída e quando vai entrar em outra paga na entrada. No nosso caso foram 21 euros, achei bem carinho.

Finalmente no hotel, o que por algum momento pareceu impossível de acontecer, tomamos um banho e fomos andando até a estação de trem para jantar em Riomaggiore.

Andando por La Spezia, que foi escolhida somente como porto para conhecer Cinqueterre, tive numa sensação de ser uma cidade um pouco abandonada, não muito atrativa.

Na estação de trem foi uma confusão, a bilheteria estava fechada tivemos que nos entender com a máquina de comprar bilhetes, perdemos um trem e até a gente se localizar como tudo funcionava na estação demorou um pouco, mas no final deu tudo certo, pegamos o outro trem e lá fomos nós às 9 da noite jantar em Riomaggiore, a primeira cidadezinha de Cinqueterre.

E menos de 10 minutos chegamos e tanto no trem quanto na estação só éramos nós.

Chegando em Riomaggiore, saindo da estação de trem, ouvi um barulho muito forte de ondas do mar e subimos uma escada e andamos um pouco e demos de cara com uma imensidão de mar. Um mar bravo que batia forte nos penhascos, um show de águas mais bonito que o Belaggio em Las Vegas…rs

Achei que Olivia ia ficar assustada e ela gostou muito de ver o mar bravo a noite, eu que fiquei um pouco assustada…rs

Passamos em frente a uma vendinha e perguntamos a um senhor onde podíamos jantar aquela hora, já era quase 10 da noite e ele simpatizou com a gente e nos levou até a cidade. Caminhamos por um túnel longo e chegamos na cidade, o senhor se despediu e paramos em um restaurante que tinha o vinho que tomamos por dois anos seguidos no nosso aniversário de casamento no Terraco Itália, Morellino Discansado da Toscana. Delicioso!

Voltamos para ver o mar da marina e já era quase meia noite. Olivia estava ótima, tinha dormido o dia todo durante a viagem até La Spezia.

Voltamos a estação e eu tive muito medo de andar todo o caminho da estação até o hotel. Como São Paulo é uma cidade tão perigosa, trazemos esse medo de violência com a gente pelos lugares que vamos, somos desacostumados com a segurança dos lugares, e é claro que foi super tranquila nossa volta até o hotel, apesar do horário.

No dia seguinte seguimos novamente para Cinqueterre e paramos em Maranolo. Lindíssima! Uma vista da cidade do alto do penhasco sensacional. Encontramos um parquinho para Olivia brincar no caminho, um cemitério, um restaurante muito gostoso a beira do mar. Saímos de lá e fomos para Vernazza.

Vernazza é bem bonita também, mas com muito, muito mesmo turistas pelas ruas. Acho que os lugares quando estão muito cheios perdem um pouco da sua beleza e não consegui ver o mesmo brilho em Vernazza.

Subimos mil escadas para chegar em uma torre com uma vista e a cidade me pareceu menos cuidada.

Pegamos novamente o trem e fomos para Corniglia. Ah, Corniglia… Meu amor foi instantâneo. Tão calma, com uma vista maravilhosa do mar, paramos em um café e o sol estava quase se pondo. Saímos para andar na pequena vila e crianças nativas brincando nas ruas. Todos os lugares com flores na porta, um silêncio e só o barulho da natureza. Parecia que estávamos nós caminhando… Tentamos ir até a marina, descemos algumas escadas e achei um pouco perigoso e só Edgar foi. Eu e Olivia sentamos em um banco de frente pro mar e atrás de nós era um mar de montanhas, muito altas, e nós estávamos no meio delas. Fiz uma mini meditação com Oli, respirando aquele ar e sentindo a energia da natureza e depois voltamos para o vilarejo. Edgar perguntou a um senhor sobre o ônibus que nos levaria até a estação, por Corniglia estar no topo da montanha e fomos informados que não havia mais ônibus e que o ultimo trem passaria em 20 minutos. Descemos a pé correndo para a estação. Foram 20 minutos exatos de caminhada, descendo todo aquele morro sentindo uma mistura de emoção e de medo: como iríamos embora de lá se perdêssemos o ultimo trem as 20:30h.

Deu tudo certo, embarcamos de volta para La Spezia e perguntamos a um senhor que passava na rua onde podíamos comer a melhor pizza da cidade e ele não só nos falou onde como nos levou até lá e disse para o dono do restaurante nos servir bem e nos dar uma cortesia. Diante de tanta gentileza, Edgar o convidou para jantar e ele olhou para o relógio e disse que poderia. Ele se chamava Cesar e falavam pouco de português por ter morado por 4 anos no Rio de Janeiro. Tomamos vinho, conversamos muito, a mesa que estava ao nosso lado com um casal de italianos tb se juntou a nossa conversa e foi tudo muito bom. Olivia dormia dentro do carrinho, depois de um dia tão agitado que tivemos.

Dia seguinte seguir viagem pegando estrada em nosso carro alugado para mais uma aventura pela Itália: passar em Pisa para ver a Torre, Firenze e algumas cidadezinhas na Toscana.

Chegando de férias, primeira parada: Milão – Itália

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Começando a despertar viagens…

No avião, depois de uma noite viajando, depois de um pouco de apreensão em um vôo que decolou e perdeu altitude de uma hora durante a decolagem, ao amanhecer, abro a minha janela e primeira paisagem que vejo são as montanhas com gelo francesas, os pirineos.

Começo a me dar conta de tudo que esta pra acontecer.

Pousamos em Milão enquanto tocava garbage no meu iPod e me deu uma sensação de liberdade absoluta, de um mundo inteiro a ser descoberto, de uma vida agora novinha pra ser vivida.

Segunda vez na Itália. Estivemos em outra viagem em Veneza, Roma, Napoli e Sorrento. Uma experiência média, nada muito animador e por muitos motivos não tinha vontade de voltar a Italia, mas Edgar como filho de italiano quis tirar a prova e voltar, principalmente em Milão, lugar de onde ele tem tantas referências de coais que gosta, enfim…

Ao sair do aeroporto uma bagunça de taxistas tentando organizar uma fila que nunca era organizada e ficamos perdidos com aquela falação e um indicava para ir falar com o outro e no fim conseguimos nos entender com um deles que nos levou até o hotel. Quase uma hora de viagem = 100 euros exatos: 320reais. Carérrimo!

Essa viagem não é como as outras que fizemos a Europa. Com criança muda tudo e a quantidade de malas tb impossibilita pegar qualquer transporte público até o hotel.

Chegamos correndo, banho e rua pra conseguir chegar a tempo ao jantar no Tram Atmosphera, que estava marcado para as 19:30h.

Saimos do Hotel depois de meia hora que chegamos e andando por navigli, o bairro onde escolhemos ficar, pessoas lindas pelas ruas, bares… Em Milão a percepção que tivemos logo que chegamos é como as pessoas se vestem bem. Impecáveis, como na França.

Pegamos o metro e chegando na praça onde estaria o Tram Atmosphera nos vimos perdidos. Andamos e vimos o Castelo, fomos até ele e Edgar foi para um lado perguntar e eu para outro até que o Tram estacionou quase na nossa frente.

O jantar começou e foi um desbunde de sabores. 4 pratos e mais sobremesa. Os italianos comem bem, viu?!
Olivia adorou a idéia de jantar em um trem e se comportou bem até o meio do trajeto. No final queria ficar sozinha no vagão de entrada do trem cantando suas músicas em “vários idiomas” diferentes, o que chamou atenção de todos, que gostaram dizendo que ela era uma artista. Ela queria ficar sozinha, olhando pela janela todo o trajeto e cantando e Edgar dizia que ela era como a mãe, estava em seu momento de liberdade e privacidade…rs Ele dizia a ela que todos os vidros do trem iam se quebrar com tanta cantoria e ela vinha toda hora perguntar quantos já haviam se quebrado….rs

Tinha pólen voando pela cidade toda… Olivia ficou tentando pegar pelos ares…

Segundo dia: Acordamos naquele cansaço e com o fuso horário de 4h de diferença era como se fosse 4:30h da manhã as 8:30h. Café da manhã maravilhoso do hotel, com muitos tipos de queijo, tomatinho cereja com sabor delicioso…

Pegamos o metro e descemos na Duomo. Tão lindo quanto de noite. Entramos nela e realmente é uma igreja maravilhosa, enorme! Subimos também e a quantidade de estátuas com homenagens devem ser mais de mil, sério mesmo! Lindíssima!

Ao lado a Galeria Vitorio Emanuele, com suas grandiosas grifes e paramos para uma cerveja no café Scalla e gastamos 20 euros em duas cervejas = 64 reais (!!!) afffffeeee…

Andamos até a Igreja do ossário e suas mil caveiras de arrepiar e depois corremos para o metro para chegar a tempo do horário para ver a última ceia pintada por Leonardo da Vinci. Impressionantemente lindíssima! De pensar que a igreja foi bombardeada na guerra e essa parede foi a única coisa que não caiu é de arrepiar!

Voltamos para o hotel muito cansados e Olivia dormiu o dia todo no carrinho e ter levado o carrinho no sobe e desce de escada do metro com ela dentro dormindo não foi fácil, mas o soninho dela agradeceu.

Fomos passear por Navigli na hora do happy hour dos Milaneses e uma vibe maravilhosa a beira do canal, alguns sentados, curtindo o anoitecer. Andamos por todo o canal até o melhor restaurante de drinks que Edgar pegou na dica do programa da Didi Lugar Incomum, o Capetown e tomamos uma pint e depois em outro chamado Andrea e Luca na beira do canal.

Me deu uma sensação tão boa de estar de novo na Itália e poder gostar verdadeiramente de tudo aqui. Ter uma nova impressão e até pensar que um dia poderemos estar aqui de verdade e não só de férias.

Fomos em busca do restaurante famoso Damm para jantar e andamos muito, até depois de Navigli e é claro, nos perdemos e voltamos e achamos o lugar. Comemos a cotoleta milanesa e depois um ossobuco. Sim, eu estou comendo carne nessa viagem e penso que será somente durante as férias.

Terceiro dia: acordar mais tarde, menos cansados, sair um pouco mais tarde, pegar metro, ir para o quadrilátero della Moda. Lojas caríssimas e muitos Milaneses chiquerérrimos andando pelas ruas. Corso della Spiga é uma rua lindíssima, bem européia, com flores nas varandas das casas, sem passagem de carros, lojas com grandes vitrines, tudo bem bonito.

Fomos almoçar na loja café da marca chamada Deus de bike e moto. Gente hype e só Milaneses. Bairro muito gostoso que deu até vontade de morar. Longe de qualquer ponto turístico e bem tranquilo.

Fomos para Brera, um bairro muito gostoso com ruazinhas com mesas nas calçadas, pintores pela rua, algo como MontMartre.

Tomamos sorvete no Amorino, andamos bastante curtindo todo o movimento do bairro, chegamos até a Igreja Della Carmine e andamos até o Castelo Sforzesco. Olivia dormindo não pode correr pelo gramado delicioso do lugar, com muitas crianças. Ela dormiu quase todas as tardes por ainda estar se acostumando com o novo horário.

Andamos por todo o castelo e muita gente bonita sentada pelo gramado conversando, tomando cerveja, coisas que sentimos falta de fazer com os amigos em São Paulo… Quando chegamos em um parquinho acordamos Olivia que brincou muito.

De volta a Navigli jantamos uma cantina depois de um tempo de espera, que pareceu uma eternidade. Pedi, como sempre, spaghetti al vongoli e me deliciei!

Essa foi nossa despedida de Milão, depois de 3 dias maravilhosos, em uma cidade com pessoas bem humoradas, muito educadas e hospitaleiras. Gostamos muito, muito mesmo e vamos embora deixando um pedacinho do nosso coração aqui e voltaremos para buscá-lo, com certeza!

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Como foi o Lollapalooza – Primeiro dia

lollapaloozaFinalmente chegou o Lollapalooza! E ontem foi o primeiro dia.

Esse ano pelo menos pra gente foi super prático, meus sogros moram ao lado do Autódromo.

A entrada foi tranquila, mas muita, muita gente. Até a gente se localizar demorou um pouco, porque o Autódromo é enorme. Lembrei de quando fui no primeiro Skol Beats que teve lá em 99. No dia seguinte, ainda lá no after hour, de manhã, eu estava com tanta dor na batata da perna que mal conseguia andar. Tudo muito longe, com direito a morros, mas dessa vez foi mais tranquilo, mas deu saudades do jockey club. Um lugar menor acaba sendo mais prático para encontrar os amigos, ver um pouco de dois shows que acontecem ao mesmo tempo. Enfim…

Sempre na entrada de Festivais sinto aquela adrenalina, amo demais. Ao chegar já pegamos fichas para comida e cerveja para os dois dias de festival, evitando pegar muita fila. A fila dos banheiros estava aceitável e só para comer que foi complicado, pelo menos pra mim, que não como carne. Ás 21h já não existia mais nada além de sanduíche de pernil e espeto de carne. Não me atentei ao Chef Stage, onde talvez poderia ter algo melhor.

O primeiro show que vimos foi do Julian Casablancas. Começou médio, com o som um pouco ruim e a voz dele bem longe. A terceira música foi boa, mas depois voltou ao que já estava proposto. Um show mediano. Conhecia algumas músicas, mas não vibrei. O melhor momento foi quando tocaram Strokes e mudou da água pro vinho. Antes era uma banda boa fazendo um som bem chatinho e depois uma banda boa fazendo o melhor som. Strokes é foda e como Julian Casablancas pôde fazer uma carreira solo pior? Enfim, tem pessoas que gostam dos dois projetos, mas eu sinceramente não me convenci.

Quase no fim do show fomos na busca do Palco Interlagos que no mapa parecia ser de um lado e depois de andar muito vimos que era para outro. Fui ficando apreensiva, com medo de perder o começo do show do Portugal, The Man.

Ao andar pelo festival e olhar para as pessoas que passavam, parecia mais um desfile de moda hipster, e como disse Edgar, um ensaio da Urban Out Fittters. Alguns que realmente gostavam das bandas e outros que estavam lá só para se divertir, ver amigos e tomar cerveja, o que muitas vezes atrapalhavam quem estava realmente afim de assistir o show, com pessoas ao lado batendo papo e incomodando.

O show do Portugal, The Man começou e terminou arrebentando. Os caras mandam muito bem. O que mais me impressionou foi eles dizerem por duas ou três vezes que são do Alasca, assim como o Alabama Shakes também fez questão no show do ano passado em dizer várias vezes que eram do Alabama. E como essas bandas chegaram até nós?!! Muitas foram descobertas e apresentadas ao mundo pela radio KEXP de Seattle. Incrível! Um mundo sem fronteiras.

As músicas emendavam uma na outra e o show nunca parava. Meninos conectados e afim de fazer o melhor show. É a nossa juventude de hoje em dia. Bandas novas cheias de energia. Imaginei como serão os shows de quando Olivia for jovem.

Um ponto fraco na minha opinião, mas um ponto forte na opinião do Edgar, foi o excesso de sampler. A última música teve a participação especial de um trompetista que foi legal, mas por muitos momentos não sabia onde estava o som do tal trompete, pois se perdeu no meio de tanta mistura. Algo meio jazzístico, mas também com excesso de tecnologia e menos entrega da banda no palco. Lembrei dos momentos de êxtase de alguns shows que vi nesses últimos tempos, onde “piro” no momento em a banda se entrega totalmente e começa a tocar alucinadamente entre eles fazendo uma jam louca por muitos minutos… Me veio Stephen Malkumus na cabeça e tudo passou a ter menos graça. Enfim, maaaas não deixou de ser muito bom Portugal, The Man também.

Outro ponto positivo e um pouco negativo é uma das músicas  deles, a minha preferida por sinal, ter a mesma base de uma das músicas dos maravilhosos Dandy Warhols. E não por coincidência os Dandy Warhols também são do Alasca. Mas que mundo pequeno esse!!!  Uma parte engraçada do show foi o guitarrista não conseguindo segurar o riso ao ver um pessoal que estava na nossa frente vestidos com máscaras de cavalo. Uma intervenção que fez muita gente ficar intrigada…rs

Passado esse maravilhoso show fomos ver os franceses do Phoenix. Edgar não parava que falar que o vocalista, o Thomas Mars, era genro do Francis Ford Coppola e que isso era o máximo. Eu acho mais máximo ainda ele ser o marido da Sofia Coppola!!

Show grande, animando aquele mundo de gente pulando de uma maneira frenética e incrível! Eu que gosto da banda, mas não sou tão fã fiquei completamente hipnotizada pelo show. O cenário, como disse Edgar deve ter sido cuidado pela Sofia, com jogo de luzes, algumas projeções passando, tudo muito bem feito. Imperdível! Quando eles vieram no Terra em 2010 preferimos ver Hot Chip, que era na mesma hora, e como eu estava grávida não dava pra ficar correndo de um lado para o outro para ver as duas bandas.

Outro show incrível, talvez o melhor da noite, foi do Nine Inch Nails. Banda liderada pelo maravilhoso Trent Reznor, que ganhou até um Oscar dia desses pela trilha do filme Facebook.

Show assustador, um jogo luz impressionante, aterrorizante, fim do mundo, forte, up-down, sado, não sei explicar. Segundo show que vejo deles e sensacional! Terminaram lindamente com Hurt e Trent Reznor nos trouxe a lembrança do adorado Johnny Cash…

Por final, vimos um pouco do Muse, que já tinha assistido uma outra vez e tocaram Nirvana, jogando pra cima todo o autódromo com 80 mil pessoas em “Lithium”. Fomos embora, pegamos um táxi em um minuto e em 5 minutos estávamos entregues. A pior parte veio no final, quando tivemos que esperar para fora, sem chaves, meus sogros voltarem de uma festa com nossa filha…

E quem será que foi mais na balada ontem? Eles ou nós? rsrs…

Bora que hoje tem mais!

Minha vida no interior e da minha filha na cidade grande

Eu nasci em uma cidade pequena no sul do Minas chamada Cambuí, com 25mil habitantes.

Cresci correndo na praça, brincando de polícia ladrão, esconde-esconde, queimada, sem regras para sair ou voltar pra casa. Cresci livre. Era rodeada de primos e amigos queridos e de muito amor. Lembro muito do quintal da minha casa, das minhas duas cachorras, uma se chamava Hannah e rebolava. Minhas duas tartarugas que eu cuidava todos os dias quando voltava da escola. Essas vivem em meus sonhos até hoje. Meus gatos, Lion e Tigara… Tive uma infância muito feliz.

Minha adolescência também foi deliciosa, com uma turma de amigos que gostava muito de música nos saudosos anos 90. Noites de fogueiras no pasto, altas festas e conversas que viravam a madrugada. Muita recordação boa.

Chegou um momento em que tudo na pequena cidade e dentro da minha casa já não me cabiam mais e me mudei aos 17 anos para uma cidade vizinha, indo morar sozinha em uma república de meninas. Terminei meu colegial e comecei a trabalhar pela primeira vez. Lembro muito o quanto minha mãe me fazia falta. Eu ligava chorando e achava que não conseguiria ficar longe dela, mas aos poucos isso foi passando.

Passou um ano e decidi me mudar para uma cidade maior. Meu sonho era morar em Belo Horizonte, mas prestei vestibular e não passei e como São Paulo era mais perto fui fazer cursinho e trabalhar.

Desde então moro em São Paulo. Fiz faculdade, pós, me casei aos 26 anos e nunca cheguei a pensar, antes de ter a Olivia, como seria criar um filho em uma cidade grande. Vou absorvendo essa questão aos poucos, com o crescimento dela e quanto mais ela vai crescendo mais dá pra sentir como tudo é bem diferente.

Moro em um apartamento onde não tem quintal, nem espaço para correr e brincar na terra, por isso vou de manhã ao parque quase todos os dias. É uma rotina que temos e acho que uma criança precisa se sentir livre para crescer melhor. Sempre achei cedo escola aos 2 ou 3 anos, mas morar em uma cidade cara como São Paulo se faz necessário muito trabalho dos pais e também da escola pelo menos por meio período.

Eu sempre amei inverno, dias nublados, chuvosos. Depois que me tornei mãe mudei de opinião. Vi como os dias de frio ou chuvosos nos desencorajam de sair de casa para um parque ou outra atividade. As gripes chegam mais rápido e você passa a se importar menos com o que você gosta.

Já pensamos muitas vezes em mudar de país, mas seeeempre vem aquele medo do FRIO com criança, de ter que ficar muito em casa, dos resfriados eternos… Enfim, pode parecer bobagem, mas muita coisa muda depois de um filho.  Moramos em um país onde as coisas não funcionam bem, vemos corrupção o tempo todo no nosso dia a dia, maaaasss, temos um clima ótimo e nossa família perto.

Eu e Olivia estamos crescendo uma com a outra. Ela como criança descobrindo o mundo, e eu aprendendo como ser a mãe dela em cada fase da sua vida.

Como cada fase da nossa vida é um mundo de descobertas, de coisas novas chegando, eu estou agora vivendo com ela uma infância completamente diferente da minha, onde eu tento a cada dia dar a ela tudo aquilo que eu tive, mas de uma maneira diferente e também com muito amor.

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